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Agronegócios : Rio Grande do Sul ruma ao topo na produção nacional de leite
Enviado por Délcio César Cordeiro Rocha em 20/10/2007 10:07:16 (687 leituras) Notícias do mesmo autor

Quarto colocado no ranking nacional, o Rio Grande do Sul pode assumir a liderança da produção de leite no país em 2013. Para concretizar a meta, o setor industrial aposta num crescimento de pelo menos 3,5 bilhões de litros anuais de forma gradativa após o início da operação de novos empreendimentos, a partir do segundo semestre de 2008. O Estado produz quase 2,6 bilhões de litros ao ano, atrás de Minas Gerais, Goiás e Paraná.

Além disso, especialistas apontam que o efeito etanol começa a impactar o rendimento em outros Estados. Em locais como Goiás, Minas Gerais e São Paulo, a pecuária leiteira vem perdendo lugar para a cana-de-açúcar, colaborando para o avanço gaúcho. Em 2007, a produção no Rio Grande do Sul deve crescer 10%, o dobro do estimado no restante do país, chegando a 3 bilhões de litros.
O clima favorável para produção de leite a pasto, a constituição da bacia leiteira em pequenas unidades produtivas onde não há competição de outras culturas e a disponibilidade de alimentação para os animais durante o ano inteiro são enumerados pelo pesquisador da Embrapa Gado de Leite Glauco Carvalho para explicar o crescimento de maior intensidade no Estado, que atraiu investidores como Nestlé/DPA, Embaré e Italac, além da gaúcha CCGL. Os projetos em andamento superam R$ 500 milhões em investimentos, com geração de 800 empregos diretos nos municípios de Palmeira das Missões, Sarandi, Passo Fundo e Cruz Alta.
– A projeção é de aumento da representatividade da Região Sul em relação ao Sudeste nos próximos anos – afirma Carvalho.
O adicional de demanda chegará a 6 milhões de litros de leite ao dia, conforme Darlan Palharini, secretário executivo do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Estado do Rio Grande do Sul (Sindilat). O total inclui projetos de ampliação de captação de diversas cooperativas como Cosulati, Santa Clara, Piá e Bom Gosto, que recentemente adquiriu a Laticinios Nutrilat.
– Entre as associadas do Sindilat, a ociosidade das unidades fabris é quase zero durante a época de safra, o que leva a projeções otimistas – diz Palharini.
As estimativas de aumento da arrecadação de impostos, empregos e crescimento da produção com valor agregado (leites condensado ou em pó, iogurtes e achocolatados) empolgam o governo estadual. De acordo com o secretário do Desenvolvimento e Assuntos Internacionais, Nelson Proença, a meta estratégica é transformar o Rio Grande do Sul em importante processador de alimentos. Com faturamento bruto de R$ 3 bilhões, o segmento gera R$ 435 milhões anuais de arrecadação de ICMS, montante considerado importante por Proença:
– O que acontece com o leite faz parte de uma estratégia de governo para que o Estado deixe de ser apenas produtor de commodities, industrializando sua produção, incorporando valor ao produto.
Estudo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) aponta que a cada real gerado pelo setor lácteo no Estado agrega mais R$ 1,91 em toda a economia. De acordo com a pesquisa, o único setor que consegue agregar maior renda ao produto é o de carnes.
O cenário favorável para a expansão é confirmado por Cristiane de Paula Turco, da Scot Consultoria. A especialista avalia que o ingresso de novas empresas no mercado gaúcho incentiva, num primeiro momento, preços atraentes ao produtor, o que será fundamental para garantir o aumento de volume de leite à disposição. De acordo com o Conselho Estadual do Leite (Conseleite), o preço do litro ao produtor subiu de R$ 0,43 para R$ 0,65 no período de janeiro a agosto. Para o presidente da CCGL, Caio Vianna, o cenário de aumenta da participação das empresas nacionais no mercado externo irá garantir a sustentação do preço interno.

Por: Patrícia Meira
Fonte: Zero Hora

 
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