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Aftosa : Fronteira seca em Mato Grosso do Sul causa preocupação para pecuaristas
Enviado por Délcio César Cordeiro Rocha em 12/10/2007 9:12:00 (610 leituras) Notícias do mesmo autor

Na fronteira seca de Mato Grosso do Sul é possível entrar e sair do país sem passar pela fiscalização. Há dois anos foram registrados focos de aftosa na região e hoje as falhas no controle do trânsito de gado podem dificultar a recuperação do status de área livre da doença com vacinação. O risco para a segurança sanitária brasileira é também a causa da preocupação para os criadores, que ainda pagam os prejuízos com a febre aftosa. A área deveria ser o centro das atenções das autoridades sanitárias.

A origem dos focos de febre aftosa ainda é um mistério. Suspeita-se que o vírus tenha vindo do Paraguai, em caminhões que transportam o gado clandestinamente e entram no Brasil por pequenas estradas. Após percorrer 80 quilômetros de chão batido, é possível transitar sem se preocupar com a fiscalização. No trajeto, não há nenhum veículo da agência sanitária ou do Departamento de Operações de Fronteira, que são os responsáveis pela segurança sanitária da região e por evitar o contrabando de animais.
Desde o surgimento dos casos de aftosa, a Linha Internacional que divide o Brasil e o Paraguai se tornou o principal foco da atenção das autoridades sanitárias, que prometeram aumentar as fiscalizações com a reativação de barreiras fixas e com o reforço nas barreiras volantes. No entanto, percebemos que a realidade parece ser bem diferente. Na fronteira seca o que se nota é a fragilidade do local.
O antigo posto fiscal está abandonado. Apenas chegando em Iguatemi, fora da linha internacional, passamos por uma barreira da Iagro. Falhas confirmadas por quem mora na região
O município de Japorã, com 10 mil habitantes, foi o mais atingido pela aftosa. Com a economia baseada principalmente na produção de leite, a cidade sente até hoje as conseqüências da doença. Para a população e as autoridades, a região foi esquecida pelos governos federal e estadual.
O produtor rural José Azevedo, de 71 anos de idade, é dono de um pequeno sítio no município. Há dois anos, o sustento da família vinha da produção de leite, que rendia em média dois mil Reais por mês. Por causa da aftosa, o rebanho de 170 animais teve que ser sacrificado. A bolsa leite, paga durante 4 meses aos criadores que tiveram gado abatido e a produção leiteira interrompida, não foi suficiente para cobrir as despesas. Agora ele espera ter segurança na atividade, numa região com status sanitário recuperado, para não passar de novo pelo sufoco.

Por: Luiz Patroni
Fonte: Canal Rural - Sucursal Campo Grande

 
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