A quebra da safra argentina em razão das baixas temperaturas naquele país está movimentando as exportações brasileiras em Porto Xavier, na Região gaúcha das Missões.
Neste período do ano, o fluxo no porto internacional costuma ser muito baixo. Porém, a falta de produtos como cebola e batata no mercado argentino fez com que o país vizinho comprasse do Brasil.
Geralmente, o que ocorre é o inverso. De março a julho, cruzam de balsa pelo Rio Uruguai em direção ao Brasil cerca de cem caminhões por dia com cebola. Dali, o produto argentino segue para todo o país. Nesses cinco meses, são criados 1,2 mil empregos. Por Porto Xavier ingressa cerca de 80% da cebola que os brasileiros importam.
O movimento atípico, que começou há 60 dias, está gerando empregos e renda. A expectativa é de que dure mais dois meses. As empresas importadoras e exportadores contrataram trabalhadores para fazer a reclassificação dos produtos, carregá-los e transportá-los de um caminhão a outro.
– São uns 500 empregos. Além da movimentação no comércio da cidade, nos restaurantes e postos de combustíveis – diz o presidente da Associação dos Importadores, Exportadores de Porto Xavier, Rafael Engers Taube.
Neste mês, a média de exportações para a Argentina de produtos como cebola, batata e banana é de 30 a 35 caminhões por dia, de acordo com o inspetor chefe da Inspetoria da Receita Federal do Brasil de Porto Xavier, Paulo Baladão. Como quase toda a relação comercial entre os dois países, as exportações já chegaram a causar transtornos. Como não tem a mesma capacidade do porto brasileiro, a aduana argentina manda de volta os caminhões que embarcam na última balsa, das 17h30min. O pátio da aduana argentina pode armazenar cerca de 15 veículos. No lado brasileiro, já estiveram no pátio 120 caminhões. Além disso, a disparidade dos valores de impostos pagos para que a mercadoria ingresse nos dois lados preocupa.fonte: Canal Rural