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Ciência e Tecnologia : Biólogos fotografam vírus da febre aftosa
Enviado por Délcio César Cordeiro Rocha em 24/5/2007 5:09:27 (1325 leituras) Notícias do mesmo autor

Biólogos fotografaram o vírus da febre aftosa em nível atômico, em diferentes estágios de replicação, o que abre portas para o desenvolvimento de novos remédios ou tratamentos mais eficazes contra esse e outros vírus, como os do resfriado, poliomielite ou hepatite C.



A pesquisadora Nuria Verdaguer, do Instituto de Biologia Molecular de Barcelona (CSIC), principal autora do estudo, explicou que o objetivo era ver como se dão os diferentes passos de replicação do vírus e comprovar como se incorporam os nucleótidos e as drogas análogas em um vírus-modelo, de modo que pudessem servir em aplicações químicas como inibidores da replicação.

A pesquisa básica foi publicada no último número da revista PNAS e também teve participação de cientistas do Centro de Biologia Molecular Severo Ochoa de Madri.

A idéia é facilitar o projeto de novos remédios. Se conhecermos como se incorporam substratos ao RNA, poderão ser desenvolvidos outros que enganem melhor que os atuais.

A Ribavirina já funciona como antiviral, mas talvez seja possível encontrar outro substrato que atue melhor se forem entendidas as interações que se dão entre a proteína e o vírus, acrescentou.

Segundo Verdaguer, a Ribavirina é um inibidor do vírus porque é um composto que praticamente mimetiza os substratos naturais e incorpora erros ao material genético. Este processo é denominado catástrofe de erro, e está começando a ser utilizado como estratégia antiviral contra diferentes tipos de vírus.

Com esta pesquisa, foram obtidas imagens fixas de diferentes estágios de replicação do vírus da febre aftosa.

"O resultado será provavelmente muito parecido com o que se veria se fosse feito o mesmo com os rinovírus (causadores do resfriado comum) e os poliovírus (da poliomielite). Com um cristal congelado, viu-se a estrutura dos diferentes estágios de replicação e a incorporação de novos nucleótidos à cadeia de RNA, observando-se como o vírus se reproduz", acrescentou.

Até agora não tinha sido possível fotografar picornavírus, cujos hóspedes são mamíferos, como ocorre com a febre aftosa (que se dá em vacas, porcos, etc), ou humanos, no caso do rinovírus e do poliovírus.

O que existia era um trabalho muito parecido, segundo o especialista, baseado na introdução de nucleótidos a um bacteriófago (vírus que ataca bactérias).

Verdaguer lembrou que o vírus da hepatite C é um vírus RNA de cadeia positiva, como os da aftosa. Por isso, uma maior compreensão destes permitirá tratamentos mais efetivos também contra essa doença.
Fonte: Efe/ JB Online

 
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