A florada de um arbusto bem conhecido pelos produtores rurais mineiros está em plena força. E é ele que alimenta a colheita de um dos tipos de mel mais valorizados do mercado, o de assa-peixe.
A flor branca e delicada influencia na produção das abelhas, que também se esmeram na fabricação de um produto que, apesar de mais claro, tem grande viscosidade. “O mel de assa-peixe é dos mais valorizados. Enquanto o quilo do convencional é vendido por R$ 3, para distribuidores, o de assa-peixe supera os R$ 10 e pode ser vendido diretamente para o público final”, afirma o presidente da Federação Mineira de Apicultura, Irone Martins Sampaio. Para este ano, especificamente, ele está bem otimista com a colheita, que deve ser encerrada esta semana. Alguns apicultores acreditam que a safra desse mel especial fique até 40% superior do que a do ano passado.
O apicultor Armindo Vieira do Nascimento Júnior, da Companhia da Abelha, dono de 18 apiários espalhados pelo estado, é um dos otimistas com a colheita deste ano. “A expectativa é aumentar nossa produção em 40%. A floração ocorreu com muita qualidade”, explica. Seu pai e sócio no negócio, Armindo Vieira do Nascimento lembra que só não produzem mais porque as abelhas não estão fortes para trabalhar e gerar resultados de mais larga escala. O vendedor da Apis Indígena, Flamarion Costa Silva, diz que sua colheita deve ser um pouco superior à da safra anterior. Ele reforça que o mel de assa-peixe é valorizado porque é mais saboroso. “Vendemos para todo o Brasil. É o preferido nos mercados de São Paulo e Brasília”, conta.
Segundo Irone Sampaio, a forte incidência de chuvas em algumas regiões de Minas “lavaram as floradas”, o que representou um mês de julho com pouco mel. “Agora estamos em um bom momento que também é de retomada”, observa. Os produtores capricham para poder extrair o máximo das colméias, nesta época. “Muitos deixam de lado a colheita mista, ou seja, que inclui o própolis, e se concentram apenas no mel de assa-peixe”, diz. Para não perder tempo e aproveitar a capacidade máxima de produção das abelhas, há casos de colméias com até oito melgueiras, enquanto a média é de quatro. Os que não têm espaço para muitas melgueiras chegam a trabalhar, nesta época, com duas colheitas. Uma na primeira quinzena de agosto e a segunda, agora.
No estado, as flores de assa-peixe ficam mais vistosas a partir de meados de julho. É quando as abelhas começam a colher o néctar para transportá-los até as colméias e transformá-los em mel. Em 15 dias, o ciclo é concluído. “O produto deve estar processado e à disposição do mercado até 15 de setembro”, diz. Como o embargo das vendas para a Comunidade Européia (que teve início no ano passado) ainda está em vigor, a maioria desse mel deve ser destinada ao mercado interno. “Mas nossas exportações já estão voltando a crescer para outros mercados, como o dos Estados Unidos”, diz Sampaio. Em julho, por exemplo, as exportações de mel movimentaram US$ 1,83 milhão. Houve um crescimento de quase 2%, na comparação com o mesmo mês de 2006. A produção brasileira total de mel chega a 40 toneladas, por ano. Minas responde por cerca de 10% desse montante.
Fonte: Estado de Minas