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Agronegócios : Empresários mineiros investem no turismo rural
Enviado por Délcio César Cordeiro Rocha em 17/8/2007 16:09:58 (612 leituras) Notícias do mesmo autor

Um grupo de 28 empreendedores das cidades dos circuitos “Caminhos do Sul de Minas” e “Serras Verdes do Sul de Minas” integra a missão empresarial à 4ª Feira Nacional de Turismo Rural (FeiraTur) em São Paulo. De 17 a 19 de agosto, os empresários participam de discussões sobre políticas públicas para o fortalecimento do turismo rural no país.

Mais de 1,5 milhão de empregos gerados em 16 Estados é a estimativa da pesquisa realizada pelo Instituto de Desenvolvimento do Turismo Rural sobre o turismo rural no Brasil. A análise revela que São Paulo e Minas Gerais têm o maior número de empreendimentos do segmento. De acordo com a pesquisa, em Minas mais de 600 empresas estão em funcionamento.
Na cidade de Maria da Fé, no sul do Estado, donos de fazendas e sítios investem cada vez mais na atividade. Diferente da sofisticação dos hotéis-fazenda, essas propriedades, muitas delas centenárias, mantêm sua simplicidade e algumas das funções produtivas originais e oferecem aos visitantes opções de lazer e descanso.
Com mais de 15 mil habitantes (quase dois terços vivendo na zona rural), a cidade de Maria da Fé participou do projeto piloto do programa de desenvolvimento do turismo rural, apoiado pelo Sebrae Minas e pela Prefeitura Municipal. A idéia era reduzir o desemprego causado pela crise da monocultura da batata.
– Foi uma ação que ajudou os proprietários de fazendas e sítios aproveitarem a sua residência como atividade turística – conta o empresário e proprietário da agência de receptivo Maria da Fé Turismo, Walter Santos.
Uma das beneficiadas com a iniciativa foi a Fazenda Pomária. Por influência do programa, a proprietária Maria de Lourdes Fernandes Torres, de 65 anos, mais conhecida como Dona Lourdinha, transformou a fazenda em uma pousada. O empreendimento, que tem a participação de toda a família, faz parte de um dos roteiros turísticos oferecidos na região. Durante a visitação, os turistas têm a oportunidade de hospedar-se na casa-sede, saborear as refeições caseiras e visitar os currais.
Outro atrativo são as cavalgadas.
– Os turistas são convidados a estabelecer uma aproximação maior com o animal. Eles apreendem desde como se arreia um cavalo até a maneira correta de fazer a escovação do pêlo. Isto torna o animal mais dócil durante a cavalgada – diz Samuel Torres de Oliveira, de 22 anos, neto de Dona Lourdinha.
Hoje, a fazenda possui aproximadamente dez funcionários envolvidos diretamente com o turismo. Na alta temporada, em meados de julho, quando os termômetros chegam a marcar dois graus negativos, a fazenda recebe, em média, 26 turistas por final de semana.
Produtividade
Voltado para a realidade do campo, com suas tradições e culturas, o turismo rural é uma oportunidade de valorizar a terra e criar alternativas para o desenvolvimento local. Segundo Walter Santos, um dos pré-requisitos para que uma propriedade exerça este segmento do turismo é ser produtiva.
– Os estabelecimentos devem produzir, por exemplo, alguns alimentos consumidos pelo turista para ser considerada uma atividade turística em uma área rural – explica.
No Sítio Nova Esperança, os visitantes degustam alimentos, participam da colheita e conhecem a produção de legumes, verduras e frutas orgânicas utilizando a filosofia biodinâmica.
– É um processo de harmonização do ambiente que usa preparados de ervas para equilibrar e melhorar o plantio – afirma o produtor rural e proprietário Sérgio Lambiasi.
Desde 1999, o produtor abandonou o uso de agrotóxicos e fertilizantes químicos utilizados nas plantações:
– A cada aplicação de veneno eu passava muito mal. Além do mais, muitos animais morriam com o processo.
Hoje, a atividade de Sérgio virou atrativo turístico da cidade. “Muitos estudantes de outras cidades vêm até o sítio para conhecer a conceito orgânico na atividade agrícola”, conta.
Sérgio Lambiasi é um dos 23 participantes da Associação de Produtores de Agricultura Natural de Maria da Fé (Apan-Fé), que atuam em 17 propriedades nas cidades de Maria da Fé, Cristina, Pedralva, Piranguçu e Carmo de Minas.

Fonte: Sebrae

 
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