Um grupo de pecuaristas do Uruguai está visitando Mato Grosso do Sul para conhecer técnicas de manejo e características do sistema de produção bovina no Estado que possam ajudar a desenvolver a pecuária no país vizinho.
O Uruguai possui um rebanho com 12 milhões de cabeças de gado, quatro vezes mais que a população total do país. Oitenta por cento da produção total de carne bovina uruguaia é destinada à exportação, que tem entre os principais compradores, países como Estados Unidos e Canadá. Por isso, 40 pecuaristas de lá estiveram na Embrapa Gado de Corte, em Campo Grande (MT), para conhecer as técnicas que poderão ser colocadas em prática nas fazendas uruguaias.
– Ficamos impressionados como Mato Grosso do Sul e, em geral, o Brasil, conseguiram praticamente dobrar o rebanho bovino em pouco tempo, usando diferentes raças e diferentes sistemas de produção, como a pecuária intensiva e os confinamentos. O Brasil tem um potencial incomparável com outros países da América do Sul, tanto em recursos naturais quanto em extensão territorial. E este rápido avanço chama a atenção – elogiou a pecuarista uruguaia Raquel Saravia.
Até esta sexta-feira, o grupo deve visitar fazendas, confinamentos e frigoríficos em seis municípios do Estado. O objetivo é conhecer os principais elos da cadeia produtiva da carne em Mato Grosso do Sul, e levar para o Uruguai conhecimentos e técnicas que possam ser aplicadas para desenvolver sua pecuária.
– Nós escolhemos esta região do Brasil justamente para conhecer o que está acontecendo na produção de gado de corte e na agricultura. Queremos saber o que pode ser aplicado no sistema de produção do nosso país. Temos algumas diferenças, principalmente quanto ao clima e isso impacta na produção de pastagens, de carne e também na agricultura, mas também temos novidades para levar como, por exemplo, as formas de produção realizadas aqui e as raças com que trabalham – disse o coordenador da Federação Uruguaia de Grupos CREA, Diego Sotelo, que completou:
– No Uruguai, trabalhamos mais com raças britânicas e continentais. Aqui, usa-se mais o Nelore, que pode ser criado na parte Norte do Uruguai, onde o clima é pouco mais seco. E isso nós podemos aprender com os produtores daqui.
Além de poder ajudar no desenvolvimento da produção bovina no Uruguai, a troca de informações entre produtores e pesquisadores dos dois países é considerada um passo importante para o fortalecimento da pecuária na América do Sul.
O pesquisador Embrapa Gado de Corte Ezequiel do Valle diz que para que o Brasil, Argentina, Uruguai ampliem as exportações de carne e conquistem novos mercados mais exigentes, é preciso fortalecer todo o continente e, para isso, reuniões e troca de experiências como esta são fundamentais.
Por: Luiz Patroni
Fonte: Sucursal Canal Rural