Produtores de milho de Mato Grosso do Sul querem melhor remuneração pelos prêmios pagos nas comercializações com o governo federal. A reclamação é que os valores atuais não são suficientes para garantir o preço mínimo do produto, o que torna inviável continuar na atividade.
O produtor rural Jarbas Rossato Stefanello é dono de uma área de 600 hectares onde cultiva milho safrinha. De acordo com o produtor, os gastos para manter a lavoura são altos: os custos diretos com fertilizantes, defensivos agrícolas e compra de sementes chegam a R$ 8,50 por saca.
Segundo Stefanello, esses são apenas os custos essenciais. Ainda há gastos com mão-de-obra, óleo diesel, maquinário, o que eleva ainda mais os gastos. O produtor diz que considera o preço mínimo oferecido pelo governo muito baixo, e que se for reduzido fica inviável continuar produzindo milho.
Este ano, Mato Grosso do Sul deve registrar uma das maiores produções de milho de todos os tempos. Na safra de verão foram colhidas 500 mil toneladas e, faltando duas semanas para o início da colheita da safrinha, a previsão é de que sejam produzidos 2,2 milhões de toneladas. Mas, segundo especialistas, o excesso de oferta pode provocar a redução do preço pago pelo produto, que hoje é de aproximadamente R$ 14,50 a saca com 60 kg.
Para sustentar o preço mínimo, que no Estado é de R$ 14,04, o governo federal tem dois mecanismos de apoio à comercialização: o Prêmio Equalizador Pago ao Produtor (PEPRO) e o Prêmio de Escoamento de Produção (PEP). Só que os produtores não estão satisfeitos com o valor destes prêmios. Segundo Carlos Eduardo Dupas , da Câmara Setorial de Armazenagem e Logística, o setor cobra reajustes dos atuais R$ 2,16 para R$ 3,95 por saca na região norte, e de R$ 1,14 para R$ 2,80 por saca na região sul do Mato Grosso do Sul.
Dupas comenta que estes valores foram calculados com base nos custos de produção e que são os mínimos necessários para que os produtores consigam ter renda com a venda do produto.
De acordo com a Companhia Nacional de Agricultura e Abastecimento (CNA), a União disponibilizou R$ 40 milhões para os leilões de milho em Mato Grosso do Sul. A expectativa é arrematar 850 mil toneladas do produto até o final de setembro. Até agora foram negociadas 348 mil toneladas o que, segundo o superintendente regional da Conab, Alfredo Sérgio Rios, pode dificultar o aumento do valor dos prêmios.
Rios diz que nos últimos leilões do governo federal as negociações não atingiram as expectativas e, assim, o governo não precisará mexer nos prêmios.
Por: Luiz Patroni
Fonte: Sucursal Canal Rural