Pecuaristas britânicos e irlandeses querem a proibição total da importação da carne bovina brasileira pela Europa. As associações desses países entraram com uma queixa formal junto à Justiça da União Européia, acusando autoridades do bloco de permitir a entrada de um produto de alto risco para a saúde humana e animal.
Por ser o maior exportador de carne bovina do mundo, o Brasil se tornou alvo das críticas. O país passou de uma comercialização de US$ 800 milhões no ano 2000, para US$ 4 bilhões em 2006. O custo da produção caiu e o preço atraiu novos mercados.
– Nós gastamos US$ 0,90 para produzir 1 kg de carne, enquanto a Irlanda gasta US$ 3. Não tem condições de competir – diz o diretor da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Antônio Camardelli, que ainda acrescenta:
– Quando tu não pode competir, tem que criticar.
A carne brasileira conquistou mercados que antes eram dominados pelos irlandeses. O Egito é um exemplo. Só no mês passado, foram exportados para este país 20 mil toneladas de carne.
– Evidentemente que os pecuaristas europeus que já sabem que vão perder aquela dominação no mercado europeu, que tiveram durante muitos anos, tão querendo se aproveitar de qualquer falha para defender o interesse deles – afirma o consultor de agronegócio Jean-Yves Carfantan.
No horizonte deste cenário, as previsões são de mais turbulências, embora as entidades do setor não acreditem que as pressões avancem. Produtores e representantes de frigoríficos afirmam que as acusações de má qualidade da carne e de uso de hormônios não têm fundamento. Só no ano passado, oito auditorias da União Européia foram realizadas no Brasil. Este ano, mais uma ocorreu em fevereiro. Em todas, a produção brasileira recebeu vários elogios, mas duas exigências seguem sendo cobradas, e são exatamente essas que podem complicar as negociações: a sanidade e a rastreabilidade.
– Infelizmente, a gente só perde tempo com isso, mas a gente tem certeza que o trabalho do governo, o trabalho dos frigoríficos, dos produtores, o Brasil sempre vai oferecer todas as garantias necessárias – promete Antônio Camardelli.
– O governo brasileiro tem realmente que tomar alguma iniciativa para mostrar que as falhas identificadas pelos peritos europeus nesses relatórios já são consideradas com seriedade e vão ser resolvidas – contesta Carfantan.
Por: Luciane Kohlmann
Fonte: Sucursal Canal Rural