Inicio Sobre Coordenação Cadastre Artigos Notícias Fotos Mural   Contato
Entrar
Menu principal
WebMail
Email:
Senha:


Ciência e Tecnologia : Atividades unem agricultores e pesquisadores em comunidade rural
Enviado por Délcio César Cordeiro Rocha em 29/6/2007 10:34:15 (862 leituras) Notícias do mesmo autor

A interação dos conhecimentos dos agricultores e pesquisadores da Embrapa e de Universidades já é uma realidade na comunidade Água Boa 2, no município de Rio Pardo de Minas- MG. Na última oficina, realizada em junho, sobre o potencial de uso da fauna, cerca de 40 agricultores e pesquisadores da Embrapa Cerrados trocaram experiências sobre os insetos da região e seus serviços ambientais. Outro grupo desenvolveu atividades levantando o potencial e as limitações do ambiente para uso agrícola e extrativista.

As atividades fazem parte do projeto “Capacitação, identificação e implantação de sistemas de produção de base ecológica a partir do planejamento segundo a aptidão agro-ecológica e extrativista das terras para aplicação em comunidades de agricultores no Território do Alto Rio Pardo”. A coordenação técnica do projeto é da Embrapa Cerrados – unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. A coordenação administrativa é da Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (FINATEC).
A liderança do projeto é do pesquisador João Roberto Correia, da Embrapa Cerrados. O trabalho vem sendo desenvolvido na comunidade formada por 84 famílias, aproximadamente 500 pessoas. Porém, as atividades são realizadas prioritariamente com oito famílias que espontaneamente se envolveram no projeto, cujas propriedades funcionam como pólos de desenvolvimento das atividades.
Na oficina sobre a fauna, o pesquisador Amabilio Camargo, da Embrapa Cerrados, relacionou os insetos e seus principais serviços ambientais. Apresentou insetos que fazem o controle biológico, os responsáveis pela polinização de plantas, os que atuam na produção de mel, os que promovem a movimentação do solo, os transmissores de doenças e os indicadores de qualidade ambiental e aqueles que atuam como pragas. No final foi montada uma armadilha de luz, em que foi possível coletar alguns insetos. Foi constatada uma grande variedade de insetos, o que evidencia a diversificação de culturas na comunidade. A atividade teve grande receptividade pelos membros da comunidade, e a discussão está muito relacionada com o seu dia a dia.
No mesmo período, os pesquisadores Ludmilla de Souza Aguiar (Embrapa Cerrados) e José Roberto Moreira (Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia) entrevistaram os agricultores sobre aspectos gerais da fauna. Observaram que era possível agregar informações sobre processos ecológicos antes desconhecidos pelos agricultores. Em julho, a pesquisadora retorna a comunidade para a restituição dos resultados das entrevistas e desenvolverá oficina sobre dispersores e polinizadores. A professora Yasmine Antonini, da Universidade Federal de Ouro Preto, ministrará oficina sobre manejo de abelhas nativas para produção de mel.
Outra atividade realizada nesse período pela equipe do projeto referiu-se à aptidão das terras. Esse é um dos pontos centrais do projeto. As informações levantadas da mais variadas fontes (da fauna, flora, solo, do uso dos recursos naturais pelos agricultores, dentre outras) irão compor os elementos que definirão as potencialidades e limitações do ambiente para uso agrícola e extrativsta. No mês de maio passado, foram realizadas atividades voltadas para a avaliação da aptidão das terras da comunidade, voltadas para agroecologia e extrativismo. Nessa etapa, as famílias foram visitadas com o objetivo de definir, entre outros itens, as características da terra, localização, o ambiente mais favorável para cultivo e formas de trabalho. Essaatividade contou com a participação da professora Lúcia Helena dos Anjos e do graduando Wanderson Henrique do Couto, ambos da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.
O coordenador técnico do projeto, pesquisador João Roberto Correia, explicou que, a partir do universo dos agricultores, foram selecionadas algumas culturas, (café, frutíferas, milho, cana-de-açúcar e mandioca) para discussão sobre seus cultivos com os agricultores das oito famílias de referência. Essas informações estruturarão a elaboração de um sistema de unidades de manejo segundo a visão de pesquisadores e agricultores. “Essa metodologia participativa nos leva a pensar a aptidão da terra de forma mais ampla, de acordo com contexto do agricultor”, ressaltou o pesquisador.
Neste mês de junho, esteve na área o analista da Embrapa Solos Braz Calderano Filho que, juntamente com o pesquisador João Roberto, levantaram informações técnicas sobre os ambientes a fim de dar suporte à definição das potencialidades e limitações do mesmo. Todas as informações, sejam técnicas quanto práticas dos agricultores, serão objeto de discussões conjuntas e servirão de subsídios para a construção da aptidão agroecológica e extrativista das terras da comunidade.
A viagem da equipe no mês de junho a Rio Pardo de Minas já demonstrou que algumas sementes plantadas já deram frutos. Depoimentos de agricultoras mostraram que as oficinas sobre aproveitamento de frutos do cerrado realizadas em março deste ano, estimularam a produção de biscoitos enriquecidos com jatobá e araticum, com excelente aceitação na feira semanal de Rio Pardo de Minas.
Visitas dos agricultores
Um grupo de agricultores da comunidade Água Boa 2 estará na semana de 2 a 6 de julho em Brasília. Na segunda-feira, eles visitam o assentamento Colônia II, em Padre Bernardo e o sítio Alegria, em Brazlândia. Nesses locais conhecerão as experiências de agricultores agroecológicos.
Nos dias 3 e 4 de julho, os agricultores estarão na Embrapa Cerrados, conhecendo os experimentos de mandioca, forrageiras e plantas para adubação. Também receberão informações sobre entomologia, ecologia de vertebrados, microbiologia, fruticultura, produção de mudas e processamento de frutas.
Na Embrapa Hortaliças, os agricultores visitarão o banco de germoplasma de abóboras. Na Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, conhecerão a coleção de base e, na Sede, a vitrine de tecnologias. A visita será encerrada, no dia 6, no Ministério do Meio Ambiente.
Fonte: Embrapa Cerrados - (61) 3388-9953 ou www.cpac.embrapa.br

 
Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.


 
desenvolvido pela: desenvolTec