Os aumentos sucessivos no preço do leite pago pelo consumidor têm mobilizado a cadeia do cetor lácteo. A Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Rio Grande do Sul (Fetag) entende que o preço médio pago ao produtor deve ser de R$ 70 para o mês de junho. Para o presidente da entidade, Élton Weber, a sugestão se baseia no preço que está sendo pago pelo cidadão.
- Se nós fizermos os cálculos, o produtor deveria estar recebendo R$ 0,70. É o que nossa comissão tem verificado. Teremos uma reunião nesta quarta-feira do Conseleite onde serão abordados dados técnicos, como o setor está reagindo no mês de junho, além de indicarmos a previsão de preço que o Conselho vai sugerir - informa.
Para Weber, outros elos da cadeia produtiva estariam absorvendo estes valores, já que a parcela destes aumentos repassado aos produtores não seria o suficiente.
- Ao nosso ver, destes valores, os setores que devem estar com os maiores valores são os dos supermercados e da indústria. Já foram repassados valores, mas não os que que nós entendemos que poderiam ser os preços adequados. O preço de R$ 0,70 possibilitaria ao produtor ter um lucro interessante para poder investir e quitar seus débitos, muitos deles com investimentos no setor - salienta o presidente da Fetag.
Na visão da indústria, conforme o presidente do Sindicato das Indústrias de Laticínios e Derivados do Rio Grande do Sul (Sindilat), Gilberto Piccinini, a entressafra seria um dos principais fatores do aumento dos preços.
- Estamos vivendo um momento em que praticamente todo ano acontece, com uma diminuição na oferta da matéria-prima por parte dos produtores, principalmente motivada pelo outono atípico com o excesso de chuvas e o calor. Isso fez com que a indústria ficasse com uma ociosidade muito grande na produção - acredita Piccinini.
Além das condições climáticas, o presidente do Sindilat destaca a demanda de outros estados brasileiros pelo produto, já que muitos reduziram sua produção e estão buscando o leite no Rio Grande do Sul.
- O Rio Grande do Sul aumenta sua produção de leite, mas outros estados estão diminuindo. Então muitas empresas estão buscando o leite aqui para diminuir a ociosidade em suas plantas - afirma Piccinini.
As causas indicadas pela indústria são reforçadas pelo setor supermercadista. O presidente da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), Antônio Cesa Longo, enfatiza também a entressafa como um dos fatores dos altos preços praticados.
- Os preços nos supermercados no mês de junho estão de 30% a 40% superiores aos do ano passado. Esse reajuste geralmente se confirma na entressafra, mas este ano a variação foi acentuada em função dos contratos de exportação que os grandes fabricantes de leite em pó possuem. O que acontece é que os grandes laticínios estão absorvendo grande parte do leite que estava programado para os pequenos laticínios - salienta Longo.
O presidente da Agas explica que o preço do litro do leite ainda deve aumentar para os próximos meses.
- A expectativa é que no mês de julho continue tendo um aumento de 3% por semana - informa o presidente da Agas.
Por: Nestor Tipa Júnior
Fonte: Rádio Rural