A fila de caminhões dentro e fora da área de estacionamento da aduana do porto seco de Dionísio Cerqueira, na fronteira com a cidade argentina de Bernardo de Irigoyen, começa a crescer devido à operação padrão desencadeada pelos fiscais do Ministério da Agricultura.
Sem certificados de inspeção internacional, cargas como grãos, frutas, sementes, madeira, carnes e derivados não podem entrar ou sair do país. Em média são inspecionados 70 caminhões. Por causa da mobilização, hoje não saem mais de 25.
Até o começo da tarde de ontem, cerca de 100 caminhões permaneciam na parte interna do posto de fronteira e 50 do lado de fora. O passar dos dias - movimento teve início dia 18 - irrita os caminhoneiros.
- Domingo fez uma semana que estacionei aqui. Viajei 2,8 mil quilômetros da província argentina do Vale do Rio Negro com 25 mil quilos de pêra para o Ceasa de São Paulo. A carga está em caminhão frigorífico, mas o mercado precisa ser abastecido - reclamava Clair Faccin, que mora em Chapecó.
Nem um pouco satisfeito com a demora também estava Augusto Mazurechen, com 20 mil quilos de cebolas trazidas de Bernardo de Irigoyen para Barracão, no Paraná.
- Pelo menos uma vez por ano a gente passa por esta situação. Ficamos presos sem ter o que fazer. Se fizer calor, a carga será perdida. Já tem algumas cabeças brotando.
O caminhoneiro Getúlio Pereira da Costa carregou sexta-feira em Corupá, Santa Catarina, mil caixas de bananas. Pretendia chegar até quarta, em Buenos Aires.
- Temo que isso se arraste por vários dias e a fruta amadureça.
Governo federal pediu 30 dias de prazo
Paulo Ricardo Guimarães é o chefe da fiscalização do Ministério da Agricultura na aduana do porto seco de Dionísio Fronteira. Conforme ele, 30% do serviço está sendo realizado. No Estado são 200 fiscais, sendo nove na aduana.
- Nossa atividade é estratégica para a questão de segurança sanitária. Em 2005, fizemos greve e pedimos reestruturação do quadro para o governo. Passou um ano, e pouco foi feito além de um concurso.
Na sexta-feira, o governo pediu 30 dias de prazo para ver se pode atender aos fiscais. Os manifestantes dizem que não voltam enquanto não houver uma resposta concreta.
Por: Ângela Bastos
Fonte: Diário Catarinense