Representação fazia críticas em defesa da terra e contra agronegócio
O “casamento” entre o agronegócio e o latifúndio, celebrado por um juiz barbudo e com um nariz grande, em referência ao personagem Pinóquio, marcaram a “mística” que abriu ontem, em Brasília, o 5º Congresso Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
Uma espécie de peça teatral, a “mística” contou a história do próprio movimento e relembrou momentos históricos como o massacre de Eldorado dos Carajás (PA), em 1996, e o surgimento da União Democrática Ruralista (UDR) no ano seguinte à formação do MST, em 1985. A UDR se tornou o principal opositor político do MST.
Na platéia, mais de 15 mil pessoas engrossavam as falas dos atores que representavam os agricultores sem terra nos palcos:
– Ocupar, resistir e produzir.
Essa era a ordem para enfrentar os ataques dos jagunços, da polícia e das políticas “neoliberais”, além da “influência” de grupos econômicos como bancos e também organizações internacionais como o Fundo Monetário Internacional (FMI). Todos representados na mística.
Na abertura do evento, já aparecem claras duas posições do MST para os próximos anos: a defesa do meio ambiente contra o aquecimento global e o cultivo de alimentos para a população, em contraposição à monocultura de cana-de-açúcar e à política do biodiesel do governo federal. Esses dois assuntos estiveram juntos durante toda a apresentação.
– O nosso congresso também deve ser um marco na defesa da reforma agrária como uma forma de democratizar a terra, distribuir renda, produzir riqueza e trabalho e combater o aquecimento global – disse uma das coordenadoras nacionais do MST, Marina Santos, no discurso de abertura.
O aquecimento do planeta, afirmou, é provocado por um “modelo de sociedade consumista”, que não se preocupa com a escassez dos recursos naturais e a sua influência sobre a população.
Mais de 17 mil pessoas devem participar do 5º Congresso Nacional do MST, que se encerra nesta sexta-feira. Sob o lema Reforma Agrária: por justiça social e soberania popular, durante os cinco dias a proposta é discutir com os trabalhadores rurais sem terra os desafios do MST para os próximos anos. O evento promete debates sobre a reforma agrária e o papel do Estado. A conjuntura política e econômica nacional e internacional são os temas de hoje.
Fonte: Agência Brasil