Hectare chegou a custar até R$ 4 mil, e atualmente não passa de R$ 2,5 mil. Por quase três anos consecutivos, o interesse das florestadoras inflacionou o valor cobrado pelo hectare na venda de imóveis rurais na metade sul do Rio Grande do Sul. Mas o conflito das empresas com áreas do governo estadual a respeito do licenciamento ambiental levou as companhias a recuar na compra de terras. E o preço das propriedades voltou praticamente ao patamar do cenário original.
A partir de 2004, as florestadoras imprimiram um forte ritmo de aquisição de terras na região, destinadas ao plantio de árvores, principalmente eucalipto. O movimento influenciou na valorização até mesmo de propriedades com baixa produtividade.
No ápice do corre-corre das empresas, o hectare chegou a custar até R$ 4 mil. Atualmente, não passa de R$ 2,5 mil, mesmo preço da época anterior à euforia. Nos últimos três anos, a Votorantim Celulose e Papel (VCP) investiu na compra de 90 mil hectares na Metade Sul, e já cultivou 33 mil deles com eucaliptos.
Fernando de Melo Xavier, corretor de imóveis especializado em propriedades rurais, avalia que o recuo dos preços é exagerado. E espera que a estagnação se reverta para compensar as desvalorizações provocadas pelas recentes estiagens.
– Os preços estão aquém do ideal. Um campo deste tipo, utilizado para florestamento, tem de valer pelo menos R$ 4 mil o hectare – argumenta Xavier.
Desde que as empresas de celulose diminuíram o ímpeto de compras, culturas típicas da região sustentam os preços, evitando recuo ainda maior. Áreas para a pecuária chegam a valer R$ 3,5 mil o hectare, enquanto terras destinadas ao plantio de arroz custam até R$ 5 mil o hectare.
Para o corretor de imóveis Fabricio Tavares, da imobiliária Casarão, de Pelotas, que realiza negócios no setor rural em toda a Metade Sul, na Argentina e no Uruguai, em parceria com imobiliárias locais, o momento é de negócios mais criteriosos. Em razão das restrições ambientais do licenciamento para a silvicultura, as empresas levam em consideração a taxa de aproveitamento do terreno: vale mais aquele que tem uma área de plantio permitido proporcionalmente maior.
Nesse período de tempo de três anos, quem vendeu as terras não mostra arrependimento. O pecuarista Antonio Borges, 57 anos, se desfez de uma área de 1.570 hectares em Arroio Grande, no ano passado. O terreno pertencia à família dele há 40 anos. Na hora de negociar com a VCP, pesou a baixa rentabilidade tanto no plantio de soja quanto na criação de gado e a proximidade com um assentamento na região. Com a oferta, saldou dívidas acumuladas pelos negócios e adquiriu outras áreas menores em Arroio Grande. Agora se dedica à pecuária e ao cultivo de arroz.
– Acho que foi um bom negócio para mim e para a região, que vai ter um desenvolvimento maior – acredita.
O empresário Paulo Ávila também vendeu sua propriedade de 243 hectares, na localidade do Pelendengue, zona rural de Rio Grande, à VCP no ano passado.
– Outras áreas vizinhas à minha estavam sendo compradas, e decidi até meio por necessidade, mas com certeza foi um bom negócio – diz o pecuarista, que agora busca outro terreno na região para dar continuidade aos negócios.
Fonte: Agrol