Reclamação refere-se à carne bovina e não suína, como temia o Estado. A denúncia de que o Brasil estaria usando certificados veterinários falsos na exportação para a Rússia, feita pelo diretor do serviço veterinário russo, Sergey Dankvert, não deve afetar Santa Catarina, segundo lideranças do setor.
O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Carne Suína (Abipecs), Pedro de Camargo, disse que, se houve falsificação de certificados brasileiros, o Ministério da Agricultura tem como apurar. Inclusive uma missão chefiada pelo secretário de Defesa Agropecuária, Inácio Kroetz, com mais três técnicos do ministério, viaja hoje para Moscou, com objetivo de esclarecer o episódio.
Camargo afirmou que as indústrias brasileiras estão embarcando com os certificados exigidos. No entanto, ele explicou que não há como controlar se a exportação enviada para um país, depois vai parar na Rússia. Os russos acusaram o Brasil de usar países como a Lituânia para reexportar carne ilegalmente para o mercado russo.
O presidente da Abipecs destacou que os volumes exportados para a Lituânia nem aparecem nas estatísticas, por não serem significativos. Ele não acredita que o episódio possa ser utilizado para embargar as exportações brasileiras, como ocorreu com Santa Catarina.
Temor é que ocorra um excedente no mercado
O diretor de Defesa Agropecuária de Santa Catarina, Roni Barbosa, disse que a reclamação dos russos se refere a carne bovina e não suína. O temor catarinense era de que um embargo para o restante do país pudesse gerar excedente de carne suína no mercado.
O diretor de Defesa Agropecuária ressaltou que os russos já poderiam ter liberado as exportações de Santa Catarina, pois os focos de aftosa ocorreram há uma ano e sete meses no Mato Grosso do Sul e Paraná.
O mais otimista é o presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos, Wolmir de Souza. Ele acredita mais na reabertura das exportações catarinenses do que num embargo para o restante do país. Souza disse que já há pedido de 50 a 60 toneladas de empresas interessadas em exportar carne suína para a Rússia, pois acreditam em uma abertura iminente.
Por: Darci Debona
Fonte: Diário Catarinense