Pesquisa da Unifra aponta que carne bovina ficou até 9% mais cara, em maio, em supermercados de Santa Maria.
A chegada antecipada do frio neste ano deixou o churrasco um pouco mais caro na mesa dos gaúchos, antes do tempo. O inverno, que prejudica as pastagens e diminui a oferta do produto, ainda não começou, mas o aumento nos preços da carne bovina já deu as caras em maio. Em supermercados da cidade, não é difícil encontrar consumidores reclamando que estão gastando mais para fazer o tradicional assado.
No Índice do Custo de Vida de Santa Maria (ICVSM), divulgado terça-feira pelo Centro Universitário Franciscano (Unifra), a carne de gado aparece como uma das principais responsáveis pela inflação de maio. Pelo índice, as campeãs de aumento de preços médios foram a carne moída de segunda e a chuleta, que subiram quase 9%.
- A carne moída de segunda era mais acessível e agora está quase R$ 5 o quilo. Infelizmente, muitas pessoas não têm condições de pagar esses preços absurdos - comentou o aposentado Alfredo Orlando da Silva, 58 anos, que ontem comprava carne em um supermercado e decidiu trocar a chuleta por capa de filé, mais em conta.
Pesquisar preços e aproveitar as promoções tem sido a estratégia da dona-de-casa Vanda de Lima, 56 anos, para manter a carne no cardápio. Ontem, ela esteve em três supermercados em busca de melhores preços, mas não ficou satisfeita.
- Estou levando patinho a R$ 9 o quilo. Há duas semanas, comprei por R$ 6. Aumentou bastante - reclamou.
- Achei horríveis esses preços. Mesmo com o aumento, assar o churrasco de domingo é sagrado para o gaúcho. O jeito é comprar coxa de galinha - completou a dona-de-casa Elanir Spencer, 52 anos.
Pecuaristas querem melhores preços
O presidente do Sindicato Rural de Santa Maria, Erony Paniz, destaca que o produtor rural gaúcho enfrenta sérios problemas com o frio, que gera mais gastos com a manutenção do rebanho. Por isso, ele aponta que o preço pago ao produtor pelo gado de corte deveria ser maior.
- Nossos inimigos mortais são o inverno rigoroso e a especulação. Os frigoríficos e os atravessadores fazem o que bem entendem com os preços. Eles lucram, e quem paga o pato é o produtor e o consumidor - diz Paniz.
Por: Matheus Miorim Beust
Fonte: Diário de Santa Maria