Os R$ 65 bilhões do Plano Safra 2008/2009, anunciados são insuficientes para cobrir os cada vez mais elevados custos de produção.
A avaliação é dos deputados da Frente Parlamentar da Agropecuária. O presidente, deputado Valdir Colatto (PMDB/SC), argumenta que o Plano só atende a 50% da demanda do crédito necessário para o produtor rural. “O produtor terá menos recursos disponíveis para investir em tecnologia, o que poderá ocasionar perda de produtividade e aumento dos preços dos alimentos. Seriam necessários pelo menos R$ 100 bilhões”, projeta.
Colatto alega que os custos de produção aumentaram 100%, mas que o Plano Safra repõe “apenas 10% disso", portanto, muito aquém do esperado. "O hectare de soja plantada já está custando quase dois mil reais, enquanto que o Plano Safra financia somente 500 reais por hectare. O agricultor terá que buscar nos bancos privados o financiamento para complementar e ficará sujeito às condições e juros impostas pelo mercado financeiro”, destaca.
Para o deputado Luis Carlos Heinze (PP/RS), vice-presidente da Frente, “o incremento de R$ 7 bilhões destinados à agricultura empresarial em relação ao ano passado é muito inferior ao aumento de 30% que os custos de produção tiveram neste ano”. Ao comentar as medidas do plano para o agronegócio, o parlamentar gaúcho destacou como positiva a eliminação da taxa flat de 4% que incide nos financiamentos para aquisição de máquinas e equipamentos agrícolas. “Essa era uma reivindicação antiga do setor agrícola que desonera um pouco o bolso dos produtores e reduz o peso da tributação bancária”, ressalta Heinze. A taxa, criada em 2004, é recolhida pelos fabricantes de máquinas agrícolas para formação de um fundo de equalização do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Mais Alimentos
O Presidente Lula e o ministro do Desenvolvimento Agrário (MDA), Guilherme Cassel, visitaram esta semana uma propriedade de agricultura familiar no Núcleo Rural Chapadinha, em Brazlândia (DF). No local, foi assinado o primeiro contrato da linha de crédito Mais Alimentos do Plano Safra 2008/2009, medida que pretende ampliar a oferta de alimentos no País.
A medida reforça o Plano Safra da Agricultura Familiar 2008/2009, que para o período conta com recursos na ordem de R$ 13 bilhões, dos quais R$ 6 bilhões estão reservados para a nova linha de crédito. Até 2010, o volume de crédito da linha Mais Alimentos chegará a R$ 25 bilhões e beneficiará 1 milhão de produtores familiares, com a comercialização de 60 mil tratores e 300 mil máquinas e implementos agrícolas. O limite de crédito por produtor é de R$ 100 mil. Foram fechados acordos com a Associação dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) e a Associação Brasileira da Industría de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) para reduzir em até 15% o preço de tratores e demais implementos agrícolas comprados com recursos do Plano Safra.
O plano prevê também a ampliação de assistência técnica e extensão rural. Os recursos para a Assistência Técnica e Expansão Rural (Ater) passam dos R$ 168 milhões, disponíveis na safra passada, para R$ 397 milhões este ano. O MDA espera ampliar de 20 para 30 mil o número de técnicos em extensão rural.
O Programa Garantia de Preços da Agricultura Familiar (PGPAF) aumentou o número de culturas incluídas que passou de 11 para 15 produtos, entre eles estão a pimenta-do-reino, trigo, cebola e mandioca. Ainda foram elevados os preços mínimos do trigo, arroz, feijão, milho, mandioca e leite. O programa incentiva o pequeno produtor que pode vender seu produto com a garantia de receber, pelo menos, os preços estabelecidos pelo governo.
Fonte: Portal do Agronegócio