Registro visa a proteger o sistema de fabricação do queijo Serrano.
Seguindo os passos já percorridos pelo Vale dos Vinhedos, as agroindústrias de Criúva e da região dos Campos de Cima da Serra podem receber o registro que garante a exclusividade no uso do nome e na produção do queijo Serrano. A receita elaborada pelos açorianos que colonizaram a região é o segredo que deu ao produto características únicas, passadas de geração em geração. A possibilidade de buscar a Indicação Geográfica está sendo estudada por técnicos do Sebrae.
O sabor levemente picante, a textura cremosa porém firme e a cor bem amarelada do queijo serrano são inconfundíveis para os apreciadores da iguaria. A origem de sua produção remete aos colonizadores açorianos que se estabeleceram na região dos Campos de Cima da Serra e na região norte de Caxias do Sul, onde hoje está o distrito de Criúva. Produto indispensável para os tropeiros que cruzavam a região nordeste do Estado, o queijo era ao mesmo tempo alimento, mercadoria e moeda.
Até hoje tanto a receita quanto a função econômica desse produto se mantém praticamente inalterados na região onde é feito. Ainda é item básico nas despesas das famílias, sendo também a principal fonte de renda de seus produtores. Por sua importância histórica e tradição no modo de fabricação, esse tipo de queijo está sendo estudado por técnicos do Serviço Nacional de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).
O objetivo é avaliar a possibilidade de obter a Indicação Geográfica, registro que visa a proteger o sistema de fabricação de produtos que apresentem tipicidade relacionados com a região onde é produzido.
Feito em parceria com a Secretaria de Agricultura de Caxias, o estudo integra o projeto Victur - Valorização do Turismo Integrado à Identidade Cultural dos Territórios, com recursos captados junto a rede Urb-Al (rede de cooperação entre cidades da América Latina e União Européia). Em Caxias, o programa prevê a conservação de patrimônio e promoção econômica vinculados à reabilitação de locais com contexto histórico.
- O projeto é muito importante porque pode potencializar o turismo na região e porque traz vantagens ao produtor. A certificação irá proteger um produto que tem tradição, história e está diretamente ligado à cultura da região - explica a consultora do Sebrae Helena Silveira, que realizou as pesquisas no município.
Apesar do queijo Serrano ter uma representatividade muito forte nos Campos de Cima da Serra, como em São Francisco de Paula, Bom Jesus e Lagoa Vermelha, a consultora explica que os resultados obtidos pela Indicação Geográfica, que teve a pesquisa feita em Caxias, deverão se estender a toda a região produtora.
Por: Martha Caus
Fonte: Pioneiro/Agrol