Nem todos os cavaleiros já chegaram para o The Best Jump, que começa nesta quarta-feira, dia 7, à noite, na Sociedade Hípica Porto-Alegrense. Mas as maiores estrelas do concurso internacional de saltos estão há pelo menos uma semana em solo gaúcho. Aliás, algumas sequer saíram daqui.
Quando se fala em "maiores estrelas", está se falando em tamanho mesmo. São os cavalos - alguns pesando meia tonelada - que recebem a maior atenção no período anterior às provas. Agora, engana-se quem acha que o tratamento dado aos animais é mordomia. Na verdade, esses gigantes são como qualquer atleta que precisa se concentrar e também relaxar antes de uma competição. Sobretudo como o The Best Jump, que reúne grandes cavaleiros e dá pontos para quem busca vaga na Copa do Mundo.
Para tratar os cavalos com o carinho e atenção necessários, o mais importante é tentar alterar sua rotina o mínimo possível. Por exemplo: um animal que vem da Argentina para competir passou cinco dias num caminhão e tem que estar o mais descansado possível no dia da prova. Para garantir esse sossego, eles viajam acompanhados de uma equipe, principalmente de seu tratador.
– É muito importante conhecer o cavalo para avaliá-lo, por isso o tratador é essencial. Cavalos que saltam estão acostumados a viagens, mas é preciso ter domínio das características do animal para, por exemplo, saber se ele pode ou não saltar dias antes da competição – explica o veterinário da Hípica, Jarbas Castro Júnior, que compara o tratamento aos cavalos ao trabalho de equipe na Fórmula-1.
Tratador há 22 anos, autor do livro A Arte de Tratar Cavalos de Esportes, Paulo Porto, 38, não solta a égua Pearl (em inglês, pérola) por nenhum segundo. O cuidado com que escova o pêlo do animal e aplica a liga de descanso - faixa para proteger os tendões recém-massageados do cavalo - é como o zelo de um pai com o filho:
– Eles precisam ser tratados como crianças mesmo, serem educados como tal – diz o paulista, que prefere ser reconhecido como "especialista em manejo de eqüinos".
Porto escova Pearl, égua de 11 anos, pelo menos cinco vezes por dia.
– Cavalo bem tratado não precisa tomar banho – sustenta.
Pearl pode até não tomar banho, mas em compensação toma três tipos de florais por dia. É para diminuir a ansiedade e, assim, ter melhores resultados nas pistas. A propósito: ela poderá ser vista nesta quinta e sexta-feira, montada por Fernando Schilis.
Fonte: Zero Hora