O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) anunciou planos para assentar mais pessoas este ano em Mato Grosso do Sul. O objetivo é ampliar em pelo menos 30% o número de famílias beneficiadas com relação ao ano passado. Outra meta é desenvolver um novo modelo de reforma agrária, que ofereça aos pequenos agricultores condições de produzir mais e buscar a auto-suficiência.
Entre as pessoas que aguardam um pedaço de terra para começar uma vida nova está Jairo Alves Leite, que vive há dois anos no acampamento na saída de Campo Grande. O sustento vem da pequena criação de suínos, com 22 animais. No desejo de ser dono do próprio chão, ele convive com as dificuldades do dia a dia no local.
– É uma só palavra para isso, que é sofrimento. E a espera, essa espera angustiante das promessas, que começam no movimento e acabam no Incra – afirma Leite.
A esperança de conseguir um pequeno lote é compartilhada com outras 17 mil famílias que vivem em acampamentos em Mato Grosso do Sul. A meta do Incra é assentar até dezembro 4,7 mil famílias, 1,1 mil a mais que no ano passado.
Mais do que conseguir cumprir a meta de reforma agrária, o maior desafio do Incra no Estado é encontrar uma maneira de mudar a situação vivida por grande parte das pessoas que já adquiriram um lote.
Nos assentamentos, problemas decorrentes da falta de orientação e de assistência técnica são comuns e acabam se tornando obstáculos que impedem o desenvolvimento e a auto-suficiência destes locais.
Depois de ficar seis anos acampado, o produtor rural Jorge Alves de Oliveira se tornou proprietário de um lote no assentamento Geraldo Garcia, em Sidrolândia. São pouco mais de 19 hectares. Mas toda a expectativa foi frustrada, pois, sem ter condições de investir no melhoramento da pastagem, ele teve que reduzir o rebanho, de 95 para 58 animais, que sobrevivem com alimentação precária.
A situação ficou mais grave quando o único poço com água potável secou. Diante das dificuldades, ele não esconde a decepção e afirma que a vida no assentamento está bem diferente da que ele almejava.
– As promessas que a gente fica esperando estão aí para vocês verem. Todo dia é a mesma coisa – comenta Oliveira.
Neste ano serão investidos R$ 200 milhões para a reforma agrária no Estado e o Incra quer estimular a qualificação dos assentados na busca de sustentabilidade econômica e ambiental.
– Para que você possa avançar, conhecimento é a palavra-chave. O conhecimento vai ser levado pela assistência técnica para que isso possa ocorrer – afirma Flodoaldo Alves de Alencar, superintendente do Incra no Mato Grosso do Sul.
O superintendente assumiu o cargo há pouco mais de um mês, em meio a uma série de protestos de sem-terra contra sua nomeação.
Por: Luiz Patroni
Fonte: Canal Rural