O Programa de Viabilidade Leiteira para a Agricultura Familiar é desenvolvido desde 1999 pela Embrapa e pela Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI) e tem como objetivo capacitar profissionais para orientar o produtor rural.
Entre os beneficiados está José Carlos Barbosa e sua esposa, que há 13 anos compraram o sítio Nossa Senhora do Carmo, no interior de São Paulo. Devido ao terreno de topografia irregular e solo de baixa fertilidade, eles resolveram produzir leite.
– A gente escolheu o leite porque, por pouco que seja, a gente recebe todo mês. Só que a gente começou trabalhando errado, não tinha assistência, só tivemos prejuízo. Só ficou melhor depois que a gente conheceu a Casa de agricultura, depois que a gente passou a participar do projeto – afirma Barbosa.
Nos quatro anos em que vêm participando do projeto, Barbosa e sua esposa conseguiram reverter a situação do sítio. Hoje, eles substituíram os pastos, instalaram um sistema de cerca elétrica e construíram um poço artesiano, tudo pago com o dinheiro do leite.
Isso foi possível apenas porque os técnicos do projeto também ensinaram os produtores a gerenciar a propriedade rural. Utilizando uma planilha de gastos, o saldo saiu do vermelho. As 10 novilhas da propriedade produzem 180 litros de leite por dia e o lucro é superior a 40 centavos por litro.
A médica veterinária Daniele Daher acompanha os trabalhos na propriedade de Barbosa desde o início.
– Ele tinha animais confinados, tinha problemas de casco e de mastite. A alimentação das vacas era péssima, ele utilizava capim passado e cevada que chegava a estragar porque ficava estocada por muito tempo, e ração comercial.
Daniele destaca que a partir do trabalho de orientação técnica, o casal passou a ter lucro.
– Em 2004 ele tinha um prejuízo mensal de R$ 900, com o início do projeto, em quatro meses ele conseguiu reverter, passando a ter um lucro pequeno. Em 2006, ele teve um lucro anual acima de R$ 3 mil e nos primeiros meses de 2008 já está passando de R$ 2 mil por mês de rendimento – afirma a veterinária.
Benefícios e trabalho em conjunto
O programa, que está gerando renda e emprego, já beneficiou 500 famílias em 30 regiões do Estado de São Paulo. Graças à ajuda dos técnicos da CATI, os produtores chegam a dobrar a produtividade em apenas um ano.
De acordo com Carlos Pagani Neto, gerente técnico do CATI Leite, o trabalho é feito em conjunto.
– O técnico e o produtor entram num acordo. Você expõe para o produtor o que ele pode ganhar e os custos e então definem o que será feito. É feita uma agenda de prioridade para que a propriedade seja organizada. O produtor de leite que aprende a trabalhar no projeto, mesmo que saia da atividade de leite, vai continuar sendo um produtor eficiente e organizado – afirma.
Além de melhorar os ganhos, a auto-estima do produtor também se torna visível.
– Uma coisa que a gente percebe no projeto, que é muito importante, é o resgate da dignidade do produtor. Ele se sente extremamente feliz de trabalhar com a atividade – garante Neto.
O produtor que quiser obter mais informações ou aderir ao projeto CATI Leite deve entrar em contato com a regional de Catanduva ou Campinas. Os telefones são (17) 3522.5258 e (19) 3743.2512. Por: Manuela Bezerra
Fonte: Canal Rural