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Agronegócios : Liberação do milho transgênico abre novo nicho na indústria de aves e suínos
Enviado por Délcio César Cordeiro Rocha em 7/4/2008 10:18:28 (568 leituras) Notícias do mesmo autor

As restrições da União Européia à carne produzida a partir de animais alimentados com milho transgênico determinará uma readequação no setor avícola. Indústrias interessadas em manter o mercado europeu após a introdução do plantio comercial das variedades da Monsanto e da Bayer no Brasil terão de garantir aos importadores processos que permitam rastrear o grão por meio de testes e auditorias, comprovando que o produto não é geneticamente modificado.

Como aconteceu com a soja modificada, a tendência é de que haja uma segmentação de mercado, com bonificação no pagamento aos produtores que optarem por continuar fornecendo o grão convencional. Apesar de não temer barreiras comerciais, o setor, que consome 3 milhões de toneladas de milho ao ano, está ciente de que todo cuidado será pouco para preservar clientes externos.
– Estamos sempre em alerta. Tudo é possível, por isso será importante comprovar a origem dos grãos na propriedade – afirma Eduardo Santos, presidente da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav).
As processadoras de carne suína, por enquanto, não estão preocupadas. Atendem basicamente a mercados marginais, como Rússia e Hong Kong, nada restritivos à transgenia, explica o diretor executivo do Sindicato das Indústrias de Carnes de Produtos Suínos, Rogério Kerber. Além disso, o dirigente avalia que bloqueios comerciais seriam um contra-senso, já que nos maiores fornecedores mundiais de milho predomina a produção transgênica.
Além de criar um nicho, o novo cenário pode reprimir movimentos especulatórios sobre o preço interno do cereal. No entendimento do setor, as liberações das variedades transgênicas abrem precedente para a importação de milho modificado de outros países, garantindo o abastecimento e freando elevações de cotação.
Apesar de prosseguir a obrigatoriedade de autorização da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) para importação, o presidente da Associação Brasileira de Milho (Abramilho), Odacir Klein, concorda: não faz mais sentido negar as licenças.
Klein avalia que o processo não irá afetar o preço ao produtor nacional na medida em que o Brasil seguir exportando, especialmente para os países asiáticos, que não apresentam restrições a transgênicos. Com expectativa de produção de 55 milhões de toneladas na safra 2007/2008, a estimativa é de que as exportações brasileiras cheguem a 10 milhões de toneladas. Na opinião de Klein, com consumo previsto de 44 milhões de toneladas, haverá equilíbrio suficiente para manter cotações.
– Não podemos entrar num processo de canibalismo, abrir uma guerra no mercado interno por preço, não é uma atitude inteligente – alerta Klein.

[size=medium]Fevereiro de 2008
- O governo brasileiro liberou o plantio comercial do milho transgênico no país. Por sete votos a quatro, o Conselho Nacional de Biossegurança, composto por 11 ministérios, aprovou duas variedades de sementes produzidas pelas multinacionais Monsanto e Bayer CropScience. Uma é resistente a insetos e a outra, a herbicidas. A expectativa é de que pequenos lotes dessas sementes já estejam disponíveis para a safra 2008/2009, que começará a ser plantada no último trimestre.
- Os maiores produtores de milho modificado são Estados Unidos, Argentina e Canadá. Mas há cultivos na África do Sul, Espanha, França, Portugal, Alemanha, Honduras e República Checa.
Soja
O presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), Carlo Lovatelli, disse esta semana que, embora a moratória tenha apresentado resultados, o governo precisa reforçar as ações para evitar que o plantio de soja avance para áreas recém-desmatadas. A moratória é um compromisso firmado, desde julho de 2006, entre indústrias e exportadores associadas à Abiove e Associação Nacional dos Exportadores de Cereais, para não adquirir soja de áreas de novos desmatamentos do Bioma Amazônia.
[/size]Por: Patrícia Meira
Fonte: Zero Hora

 
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