As sucessivas altas no preço do boi têm colocado especialistas em alerta. Em março do ano passado o bezerro era vendido a R$ 397, e um ano depois o indicador Esalq aponta cotação de R$ 523 para o animal em Mato Grosso, Estado que baliza o mercado. Criadores afirmam que o aumento superior a 30% é resultado de uma alta matança de fêmeas ocorrida nos últimos 10 anos.
– Porque ocorreu essa matança? O criador estava mal remunerado, o bezerro estava num patamar muito baixo e ficou assim por um período longo, enquanto tudo subiu. Então ele, para manter os meninos na escola e o status dele, teve que entrar no rebanho. Daí houve uma matança expressiva de fêmeas – explica José Olavo Borges Mendes, presidente da Associação Brasileira de Criadores de Zebu (ABCZ).
A alta no preço do bezerro interfere diretamente nas cotações do boi gordo. Atualmente a commodity está cotada a R$ 76 a arroba, mas para outubro a previsão é de que alcance R$ 80.
– A reposição está cada vez mais difícil. A vaca que foi retida em 2007 ainda vai demorar um ano para gerar um bezerro, e mais três para ter o gado pronto. Então é um ciclo de no mínimo três anos, e de boi pronto, quatro anos. Por isso, num curto prazo eu vejo uma reposição cada vez mais difícil com uma dificuldade grande de achar lotes significativos – afirma André Criveli, analista de mercado da Terra Futuros.
Por enquanto o aumento ainda não chegou aos supermercados, mas os especialistas acreditam que em breve os frigoríficos devem repassar esse custo ao consumidor. Os bezerros que estão sendo gerados hoje estarão prontos para o abate apenas em 2011, e até lá a tendência é de alta nos preços da carne.
– A tendência de alta é devido a uma quebra da produção que deve se normalizar em três anos; ao aumento da renda per capita do brasileiro, o que incentiva o consumo; e com a possibilidade de volta da União Européia ao mercado, esse mercado deve ficar enxuto e a carne deve se valorizar – avalia Criveli.
Para o presidente da ABCZ, o mercado de carne brasileiro está mais seguro. Ele afirma que o cenário atual não está relacionado às exportações.
– Prova disso é que nós perdemos o mercado para a União Européia e não afetou em absoluto o preço da arroba do boi. Isso é sinal de que não estava atrelada à exposição, e sim à falta de mercadoria – diz Borges Mendes.
Por: Manuela Bezerra
Fonte: Canal Rural