O órgão regulador de fertilidade e embriologia do Reino Unido anunciou hoje que deu sinal verde à criação de embriões híbridos, que combinam DNA de animais e seres humanos, destinados à pesquisa com fins terapêuticos.
A Autoridade para a Fecundação e Embriologia Humanas (HFEA, na sigla em inglês) informou que deu autorização a duas equipes de cientistas para aplicar uma medida que, segundo os médicos, pode ajudar a conseguir tratamentos para curar algumas doenças.
O órgão já tinha antecipado em setembro do ano passado que autorizaria a princípio essa prática, embora sua aprovação plena não tenha sido consumada até agora, após ter feito várias consultas que indicam que os cidadãos aceitam essa idéia.
O regulador outorgou as permissões a duas universidades, o King's College de Londres e a Universidade de Newcastle (norte da Inglaterra), que tinha pedido para torná-las pertinentes.
Segundo a HFEA, ambas solicitações "satisfazem todos os requerimentos da lei", por isso que se concedeu a ambos os centros universitários "autorizações de pesquisa de um ano".
Outros centros que desejem fazer pesquisas similares terão que enviar igualmente a solicitação ao regulador, que analisará cada caso e tomará uma decisão.
O doutor Lyle Armstrong, da equipe da Universidade de Newcastle, disse que a decisão da Autoridade é uma "grande notícia".
Armstrong quis insistir que só utilizarão os embriões híbridos como "uma ferramenta científica" para tratar doenças humanas.
Do King's College, o doutor Stephen Minger também se declarou satisfeito com o pronunciamento da HFEA.
"Agradeço à comunidade científica, às organizações de pacientes e às associações beneficentes relacionadas com doenças por todo o apoio que recebemos durante os últimos 18 meses. Seu respaldo foi inestimável", disse Minger.
A decisão anunciada pela Autoridade para a Fecundação e a Embriologia Humanas foi tomada após vários meses de consultas.
As pesquisas de opinião realizadas indicam que 61% dos britânicos é a favor da criação desses embriões mistos, frente a apenas 25% que se opõe, com destaque para os grupos religiosos.
Os chamados embriões citoplásmicos têm 99,9% de DNA humano e apenas 0,1% restante, de origem animal.
Para sua criação, os cientistas usam óvulos de coelha ou vaca, esvaziados de quase toda sua informação genética, e nos quais se implantam núcleos com DNA de diferentes tipos de células humanas.
Os embriões resultantes são majoritariamente humanos embora nas mitocôndrias, orgânulos da célula onde se produz a energia mediante a queima de moléculas orgânicas, fica um resto de DNA de procedência animal.
As células-tronco que se extraem dos embriões são células não especializadas que podem depois se diferenciar em diferentes tipos de tecido, trabalho que cientistas desenvolvem no laboratório.
Segundo seus defensores, o uso de óvulos de animais permitirá resolver a escassez de seus equivalentes humanos ao fornecer uma fonte quase inesgotável de células-tronco.
Atualmente, os cientistas dependem dos óvulos humanos que sobram nos tratamentos de fecundação, mas estes são poucos e além de pouca qualidade.
Os inimigos da prática alegam que com elas se elimina a distinção que, na sua opinião, existe entre o ser humano e o animal e denunciam que os embriões assim criados são destruídos uma vez que se extraem deles as células-tronco.
Fonte: EFE