De olho no futuro do protecionismo internacional, o setor avícola brasileiro se prepara para desviar de futuras barreiras comerciais. Na Europa, cresce a tendência de que fornecedores tenham de cumprir as mesmas normas internas de produção, mais rígidas, especialmente em relação ao bem-estar animal, tema cada vez mais discutido por veterinários e Organizações Não-Governamentais pelo mundo.
Os exemplos mais claros neste sentido estão na eliminação do uso de gaiolas convencionais - proibidas a partir de 1º de janeiro de 2012 na Europa - e no estímulo ao consumo de carne e ovos produzidos por aves criadas ao ar livre.
– Estamos trabalhando para atender a vários protocolos de bem-estar animal com prazo de adaptação até 2012. Para isso, analisamos parâmetros da União Européia e estamos adaptando-os para a realidade brasileira – explica Andréa Parrilla, do Departamento de Sistemas de Produção do Ministério da Agricultura.
O programa brasileiro terá como um de seus alicerces critérios estabelecidos em regras que estão sendo formulados por técnicos do setor. O primeiro deles define padrões para criação de galinhas poedeiras e deve estar concluído em março. A adesão será voluntária, mas o vice-presidente Técnico Cientifico da União Brasileira de Avicultura (UBA), Ariel Antônio Mendes, alerta que interessados em exportar ovos para a Europa não terão saída.
– As exportações de ovos do Brasil dependem de programas de controle de resíduos e de bem-estar animal, por isso não conseguimos vender aos europeus – salienta Mendes.
O próximo protocolo será em direção ao frango de corte, o que não é tão urgente porque praticamente todos e os exportadores atendem às exigências, assegurou Christian Lohbauer, da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frangos:
– O futuro do protecionismo são políticas de saúde animal.
O novo regulamento em gestação para as poedeiras tenta amenizar as criticas às práticas envolvidas na produção de ovos comerciais, que comprometeriam a qualidade de vida das galinhas. A lotação nas granjas de reprodutoras é a principal delas. Em 2007, a produção de ovos atingiu 67,36 milhões de caixas, volume 8% inferior ao estimado para 2006, ano em que a produção somou 73,7 milhões de caixas.
O texto está praticamente fechado, mas há impasse sobre o aumento do tamanho das gaiolas onde as aves são mantidas, devido, especialmente, ao custo adicional que isso representará para as empresas.
ZERO HORA
O que é
Pelos conceitos de bem-estar, os animais devem ser criados, manejados e abatidos sem estresse, dor, sofrimento ou doenças. Também não podem passar fome e sede, nem ser privados de conforto, o que inclui espaço suficiente e instalações apropriadas que não afetem sua movimentação.
programa para poedeiras
- As instalações devem assegurar fluxo de ar fresco, reduzindo níveis de gases contaminantes e poeira.
- As gaiolas deverão passar de 330 centímetros quadrados para 450 centímetros quadrados - espaço interno mínimo para acomodar cada ave.
- A muda forçada, realizada para recuperar o pico produtivo, não será recomendada. Mas, em caso de sua realização, não pode haver retirada total de alimentação, água e luz.
- O corte do bico, para evitar o canibalismo, deve ser reduzido de dois para um e não pode ser feito em aves com menos de sete dias de idade.
- As granjas deverão ter certificação para o bem-estar animal.
Por: Patrícia Meira
Fonte:União Brasileira de Avicultura (UBA)