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Ciência e Tecnologia : Especialistas afirmam que não é ético clonar animais para obter alimentos
Enviado por Délcio César Cordeiro Rocha em 23/2/2008 9:59:54 (896 leituras) Notícias do mesmo autor

O Grupo Europeu de Especialistas sobre Bioética não vê argumentos convincentes que justifiquem no momento a clonagem de cabras, vacas ou porcos para obter alimentos, como carne ou leite, e tem "dúvidas" de que isso seja ético, devido ao possível sofrimento do animal, segundo um relatório divulgado no dia 17.

O organismo remeteu à Comissão Européia (CE) um parecer no qual opina sobre os aspectos éticos da clonagem animal a fim de produzir alimentos, após um ano de reuniões e consultas.

No relatório, o Grupo indica que "tem dúvidas sobre se a clonagem animal para obter alimentos se justifica eticamente, considerando o nível real de sofrimento e os problemas de saúde" tanto do animal a partir do qual a clonagem é feita como dos clones.

Quanto à sua descendência, o Grupo diz que a questão está aberta a novas pesquisas científicas.

O organismo acredita que, atualmente, "não há argumentos convincentes que justifiquem a produção de alimentos de animais clonados e de suas crias", segundo o relatório, enviado ao presidente da CE, José Manuel Durão Barroso.

Os especialistas afirmam que se no futuro fossem introduzidos no mercado europeu alimentos derivados de animais obtidos mediante técnicas de clonagem, o Grupo recomendaria que fossem cumpridos requisitos adicionais àqueles adotados com produtos agroalimentares convencionais.

No documento, a organização admite que pode haver razões econômicas para a clonagem, mas, por outro lado, pode ser eticamente inaceitável para algumas pessoas.

O relatório menciona inclusive o dilema que pode representar a consideração dos animais como "um mero instrumento" para o homem, mas neste sentido indica que há opiniões divergentes na sociedade e várias crenças religiosas.

Além disso, o Grupo insiste em que a hipotética criação de animais mediante a clonagem deveria incluir medidas adicionais para evitar o sofrimento ou os maus-tratos contra os bichos e acrescenta que há dúvidas sobre se o aproveitamento econômico gerado por esta atividade justificaria uma infração do bem-estar do gado.

Segundo os especialistas, a União Européia (UE) deveria adotar medidas para conservar a herança genética das espécies animais de fazendas e levar em conta que a clonagem poderia representar uma ameaça para a biodiversidade.

O Grupo é formado por 15 especialistas, entre os quais estão professores de ética, teologia, filosofia e direito.

O relatório de hoje é o segundo divulgado em uma semana por especialistas da UE sobre o procedimento científico, pois a Autoridade Européia para a Segurança dos Alimentos (Aesa) emitiu um parecer mais positivo sobre a clonagem, indicando que carne ou leite de animais clonados são seguros.

O Grupo de Bioética faz referência em sua sentença à Aesa e, neste ponto, diz que faltam outras pesquisas para comprovar as afirmações da Autoridade.

O documento também alude ao direito do consumidor de escolher e pede à CE que estabeleça regras de etiquetagem para assegurar a liberdade do comprador.

A Comissão Européia afirmou que o relatório publicado hoje é de um organismo que presta assessoria, e não o do Executivo da UE.

A CE "examinará com detalhe a opinião do Grupo de Bioética e da Aesa e fará uma consulta ampla" para obter a opinião dos setores interessados e da sociedade sobre a clonagem, segundo a porta-voz de Saúde do bloco, Nina Papadoulaki.

Segundo ela, calcula-se que a pesquisa ou Eurobarômetro que a CE fará entre os cidadãos de países do bloco europeu só deve ficar pronta a partir da segunda metade do ano.

Fonte: EFE

 
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