O Brasil revisou para baixo e entregou uma lista de cerca de 200 propriedades que diz cumprirem com as exigências da União Européia para a exportação de carne bovina, disseram na sexta-feira (22) autoridades da comissão executiva da UE.
Os europeus suspenderam as importações de carne bovina do Brasil no final de janeiro, quando iniciaram controles mais rigorosos sobre a rastreabilidade dos animais e regras gerais mais severas de importação. Os exportadores brasileiros criticaram as restrições da UE, afirmando serem injustificadas e protecionistas.
"A Comissão recebeu hoje, das autoridades brasileiras, uma lista com menos de 200 propriedades acompanhada pelos respectivos relatórios de inspeção", disse um funcionário da comissão.
O Ministério da Agricultura no Brasil não pôde confirmar a informação imediatamente.
"Os serviços da Comissão Européia estão neste momento examinando os documentos", disse a autoridade, explicando que uma equipe de inspetores da UE daria início na segunda-feira a inspeções das propriedades listadas pelo Brasil para verificar se elas cumprem com os padrões e exigências da UE.
No início do ano, autoridades européias esperavam receber uma lista de 300 propriedades que no entendimento do bloco estariam aptas a cumprir com as novas exigências.
Mas o Brasil, inicialmente, enviou uma relação com mais de 2.600 fazendas, que foi rejeitada.
Posteriormente, o governo brasileiro reduziu a lista para um número entre 500 e 600 fazendas, e novamente não houve acordo em reunião realizada em Bruxelas, onde ficou acordado que os técnicos europeus viriam para o Brasil avaliar as propriedades.
A UE vai precisar de cerca de três semanas para avaliar o relatório de inspeção da equipe, assim como a lista de propriedades entregues pelo Brasil, disseram autoridades.
O Brasil é o maior exportador do mundo de carne bovina, com vendas estimadas em 4,2 bilhões de dólares em 2007.
As restrições da UE seguiram-se a um forte lobby de produtores europeus, particularmente da Grã-Bretanha e da Irlanda, para que as importações do Brasil fossem proibidas. Produtores da UE reclamam que a carne brasileira não cumpre com os padrões do bloco.
O Brasil nega as acusações, afirmando que a ação da UE é injustificada, não tem relação com critérios sanitários e tem apenas o objetivo de elevar os preços da carne para os produtores europeus ao limitar as importações. Fonte: Estadão Online