As belezas naturais do Estado de Alagoas não são apenas um atrativo para turistas. Praias com águas quentes, sol o ano inteiro e a presença de muitas lagoas. Esse cenário também favorece o cultivo de ostras, atividade que gera renda para as comunidades pesqueiras da região.
Nos últimos anos, a ostreicultura ganha força na economia alagoana, mas nenhum dado econômico pode chamar mais atenção que a mudança que ocorreu na vida das pessoas que passaram a criar ostras.
Antes, os pescadores sobreviviam da pesca em rios e da retirada de ostras e de sururu da lama dos mangues. O pouco que conseguiam coletar nessa lida era comercializado para turistas.
– A gente enfrentava muita lama e se cortava nos cascalhos de ostra dentro do mangue. Além de não ter certeza de como seria cada dia, se conseguiria ter produto para vender – relata Manoel Cícero Rocha, 46 anos, considerado o primeiro maricultor de Alagoas.
Hoje, Cícero, como é conhecido na comunidade, é presidente da Associação Paraíso das Ostras.
Cícero conta que a vida dos moradores da Comunidade da Palatéia, em Barra de São Miguel, no litoral sul do Estado, tem mudado com o Programa de Cultivo de Ostras, que faz parte do Projeto Cadeia Produtiva da Aqüicultura do Sebrae em Alagoas.
– É um grande parceiro. O projeto melhorou a nossa vida em 100% – diz.
Nessa transformação, a casa de Cícero também mudou. Era de barro, hoje é de alvenaria e já tem alguns eletrodomésticos.
Com o extrativismo, Cícero ganhava por mês, em média, R$ 60 para alimentar os cinco filhos. Agora, com a ostreicultura ele consegue em média R$ 300 mensalmente. A atividade, mais rentável, fez com que a esposa dele, Maria Cícera Marques, conhecida por Ciça, também participasse da criação de ostra.
– Trabalhamos juntos no cultivo e sabemos que agora a renda depende do nosso esforço – ressalta Cícero.
A Associação Paraíso das Ostras é formada por 32 famílias que trabalham com a ostreicultura. Eles começaram em 2002 com dez mesas de cultivo e hoje já têm 300 mesas. Com esse aumento, a associação produz 3,5 mil dúzias de ostras por mês e já consegue mercado para parte da produção.
– Tem um restaurante que compra 50 dúzias por semana – diz Ciça.
As ostras menores, de oito a dez centímetros, são vendidas por R$ 5 a dúzia. Já as maiores, com até 12 centímetros, são vendidas a R$ 10 a dúzia.
Em Coruripe, a 85 quilômetros de Maceió, 13 pessoas também vivem da criação de ostras. Elas fazem parte da Associação Aobarco, formada, em sua maior parte, por mulheres. Antônia Maria Faustino de Azevedo, 43 anos, é uma das ostreicultoras de Coruripe. Ela conta que recebeu vários cursos do Sebrae e lições sobre planejamento da produção.
O dinheiro que Antônia consegue com a venda das ostras reforça a renda da família.
– Eu junto esse dinheirinho com o do meu marido, que é eletricista – conta.
Para ela, o que falta agora é reforçar o mercado.
Fonte: Sebrae