O clima seco dos últimos 15 dias começa a afetar a safra de milho 2007/2008 no Rio Grande do Sul. E os agricultores familiares já estão encaminhando pedidos de seguro rural.
Segundo levantamento da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado (Fetag/RS), com base em informações de produtores, as regiões das Missões e de Santa Rosa enfrentam problemas. A colheita ganha força a partir da segunda metade de janeiro. Por enquanto, a estimativa é de uma produção de 5,33 milhões de toneladas, 11,01% abaixo da safra anterior.
Dados do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) apontam que 30 comunicados de perda foram encaminhados pelos gaúchos até o último dia 20 de dezembro de 2007. Como os pedidos de seguro chegam até 10 dias após encaminhados, a tendência é de que o aumento das solicitações de indenização cresça neste início de 2008. Por enquanto, a estiagem representa 3% dos 1.082 comunicados feitos pelos agricultores do Estado. O restante refere-se a perdas com granizo e vendaval.
A expectativa é de que futuros impactos possam ser minimizados pela decisão de muitos produtores de plantar variedades precoces de milho. Nesta safra, conforme os técnicos da Emater, se confirmou a tendência de antecipação do cultivo para escapar das constantes estiagens de verão. Com isso, muitos estão colhendo em pleno dezembro.
De acordo com o coordenador geral do Seguro da Agricultura Familiar do MDA, José Carlos Zukowski, para esta safra há previsão orçamentária de R$ 200 milhões para cobrir perdas ocasionadas por adversidades climáticas, mas o governo federal acredita que o gasto seja bastante inferior.
– Esperamos gastar uma pequena fração deste total porque há tendência de um verão não tão rigoroso, com chuvas mais equilibradas em todo o país – argumenta Zukowski.
Expectativa frustrada em Santo Ângelo
Desde o dia 1º de janeiro de 2008 tornou-se obrigatória a medição de áreas atingidas por GPS e apresentação de fotos com presença do agricultor no local.
Produtor do distrito de Atafona, no interior de Santo Ângelo, Remildo Diel esperava contar com uma produtividade de 80 sacas de milho por hectare, mas os cerca de 15 dias sem chuva vão reduzir suas estimativas. Dos 8,5 hectares de milho, em três as plantas cresceram pouco e não produziram grão. O rendimento nessa área não chegará a 30 sacas por hectare.
– O milho que eu plantei em agosto escapou da estiagem. Já o de setembro sofreu na floração com a falta de chuva e com o sol quente – conta Diel.
O agricultor pediu ao Banco do Brasil a cobertura do seguro para os três hectares e aguarda a perícia.
Por: Patricia Meira e Silvana de Castro
Fonte: Zero Hora