Após o processo de recuperação de renda iniciado em 2007, deixando para trás quatro anos de crise, em decorrência dos aumentos nos custos de produção e queda nos preços do quilo vivo do boi, para 2008, as expectativas são de crescimento.
As exportações de carne bovina devem aumentar 15% em receita e 5% em volume, em relação ao registrado este ano. A previsão do presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Marcus Vinícius Pratini de Moraes. Para tanto, Pratini acredita no aumento dos embarques de carne com maior valor agregado. Este ano, o volume das vendas externas de carnes ficará em 2,5 milhões de toneladas equivalente/carcaça e a receita, em US$ 4,45 bilhões.
Para que o Brasil possa aproveitar as oportunidades do mercado internacional e se manter na liderança com maior remuneração, é preciso uma melhoria dos investimentos em defesa sanitária e certificações, alvos em 2007 de bloqueios comerciais, especialmente dos europeus, que constantemente têm utilizado argumentos sanitários para isso. Entre as falhas apontadas no sistema nacional, estão a falta de registro integral do trânsito de animais, a deficiência na coordenação entre inspeção estadual e certificadoras, além da discrepância entre dados constantes no cadastro do Serviço de Rastreabilidade da Cadeia Produtiva de Bovinos e Bubalinos (Sisbov) e os registrados nas inspetorias veterinárias estaduais.
– O grande desafio da pecuária é a rastreabilidade porque nosso principal importador em termos de preço é a União Européia. Mas essas restrições todas podem terminar elevando o preço da carne, porque haverá uma disputa maior no mercado – prevê o diretor da Federação da Agricultura do Estado, Fernando Adauto Loureiro.
No Rio Grande do Sul, algumas ações como a constituição de um fundo para rastrear 100% dos terneiros nascidos pode sair do papel em breve, paralelamente à informatização do serviço sanitário estadual.
Sem vacinação
- Com projeção de alta de 4% sobre os abates de 2007, o setor suinícola gaúcho chega a uma encruzilhada em 2008. A meta é aumentar o poder de fogo na briga por mercados com Santa Catarina que hoje atrai centros consumidores de maior valor agregado. Na visão das indústrias, a retirada da vacinação contra a aftosa no Estado, igualando o status sanitário gaúcho ao catarinense, é fundamental para entrar em mercados que pagam mais como Chile e União Européia.
- O aumento da produção tem ligação estreita com os caminhos que o Estado trilhar - diz o secretário executivo do Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos, Rogério Kerber.
Ampliar o leque também é questão de segurança para o presidente da Associação de Criadores de Suínos do Estado, Valdecir Folador, preocupado com a dependência de um só comprador. Hoje, 53% da carne suína é destinada aos russos.
Mais milho
- Conseguir manter o abastecimento de milho com preços que não inflacionem o preço da carne de frango é o principal desafio da avicultura gaúcha para conseguir concretizar a meta de repetir o crescimento de 2007 em 2008. A estimativa é de elevação de 10% na produção e de 5% na exportação, recuperando parte do prejuízo causado pela gripe das aves em 2006. A produção deve chegar a 1,1 milhão de toneladas neste ano, com exportação de 700 mil toneladas.
A correção de controles sanitários e melhoria da estrutura sanitária, que deixaram o Estado em desvantagem em relação a Santa Catarina, também são prioridades.
- Queremos manter a credibilidade externa para ampliação de mercados - explicou o secretário executivo da Associação Gaúcha de Avicultura, José Eduardo dos Santos.
Ampliar o consumo
- Após viver momentos distintos em 2007 - recuperação dos valores recebidos pelos produtores até setembro, seguida por queda dos preços pagos em função do crescimento da produção e da redução do consumo do leite longa vida - , o setor lácteo entra 2008 com o desafio de ampliar o consumo no mercado interno e aumentar as exportações.
Com produção próxima a 3 bilhões de litros de leite em 2007 e a perspectiva de ampliação de unidades produtivas, o Rio Grande do Sul pretende aumentar de 7,5 milhões de litros/dia para 8,5 milhões de litros/dia a produção em 2008.
- O cenário é muito bom - diz o presidente da Associação Gaúcha de Laticinistas, Ernesto Krug.
Para o presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Estado, Elton Weber, a carga tributária e os custos de produção podem interferir na ascensão.
Fonte: Zero Hora