O Ministério Público do Rio Grande do Sul abriu inquérito para investigar maus-tratos a animais durante uma competição conhecida por "corrida de bois de canga" ou "carreira de bois", realizada aos domingos no município de Vale Verde, na região do Vale do Rio Pardo, no Estado.
Para estimular os animais a fazerem força, homens usavam pedaços de pau com pregos nas pontas, que eram fincados nas paletas dos bichos.
No último domingo, dia 11, a competição ocorreu na propriedade da família do prefeito de Vale Verde, Emir Rosa da Silva, que assistiu à disputa. Pessoas se reuniram ao redor da "cancha" antes de os bois se enfrentarem.
Um grupo organizava apostas em dinheiro. O clima era de animação. Numa área de cerca de cem metros quadrados, um poste fixado ao solo sustentava uma junta de bois que servia para firmar os dois animais que participavam da disputa - eles foram colocados em uma canga, estrutura de madeira utilizada para unir dois animais usados na tração de carroças ou para arar a terra.
– Vamos, "briga"! – gritou um dos organizadores, iniciando a corrida.
Na disputa, vence aquele que conseguir superar o outro em força, durante 45 segundos. Geralmente, o perdedor se entrega, caindo ao solo. Em meio a gritos eufóricos da platéia, o animal derrotado na corrida de Vale Verde chegou a sangrar, após ser espetado várias vezes com um porrete. Mas não conseguiu retomar as forças.
Em seguida, o touro foi levado para pastar. De acordo com um criador, a comida aos bichos é limitada, para que eles tenham agilidade. Para isso, são usadas focinheiras de arame, que impedem a abertura da boca.
Depois de assistir às imagens realizadas pela RBSTV, a promotora do município de Taquari, Andréa Almeida Barros, que até essa terça-feira, dia 13, respondia por Vale Verde, disse que será investigada a prática de crime ambiental e contravenção penal.
– Fico indignada com a malvadeza que os homens fazem com os animais, que são totalmente irracionais – disse a promotora.
O prefeito de Vale Verde confirmou que assistiu à disputa, mas garante que não percebeu a prática de maus-tratos. Ele disse que a competição serve para divertir a comunidade. Informa ainda que vai se reunir com a associação que organiza as corridas e informar o que está acontecendo.
Por: Giovani Grizotti /RBSTV